Sábado, 3 de Novembro de 2007

Cap. II - Aspectos sócio-económicos

 

 

 

 

A produção cafeeira desta área era proveniente de duas origens: a europeia, das fazendas e a indígena, das lavras, sendo a diferença resultante do tamanho das plantações. Tanto umas como as outras desenvolveram-se sensivelmente ao longo dos últimos 50 anos, terminados em 1975. As fazendas foram, na maioria dos casos iniciadas por comerciantes e altos funcionários vindos principalmente de Luanda que demarcavam os melhores terrenos ao longo dos vales dos vários rios e, na maior parte dos casos, mantinham improdutivos garantindo a sua posse até que viessem melhores dias quer para iniciar os trabalhos, quer simplesmente para os vender.

No vale dos rios Huamba e Lumenha, e no fim da época em referência estavam instaladas as seguintes fazendas identificadas, na sua maioria, pelos nomes dos proprietários:

Esmeralda, de José Bastos; Pumbassinge, de Silva Fogueteiro; Rio Vouga, de Guerra e C.ª; Ricardo Gaspar; José Guerra; Buzinaria, de Celestino Guerra; Dr. Daniel da Cruz e irmão; Álvaro da Cruz Pacheco; Quinta das Arcas, do Dr. Manuel José Pinto Assoreira; S. Pedro, sucessivamente do Dr. Pinto da Fonseca, Madame Van der Schaff e irmãos Guerreiro; Juiz Gomes Teixeira; Companhia Agrícola do Pumbassai de Bernardino Correia da C.ª Colonial de Navegação; Maria Amélia de Diogo e C.ª; Patrocínio; Grussel; Muzecano. Estas fazendas eram servidas pela estrada para Camabatela a 85 Km.

 

No vale do Loge, ao longo da estrada para o Uíge, a 45 Km, separado do vale do Luege pela imponente serra do Pingano, ficam as seguintes fazendas:

Carlos Gaspar; José Bastos sobrinho; Marcelina Belo; Cuale-Antoave, de Matos Vaz e C.ª; Pumbaloge, de Herdeiros de Dr. Torres Garcia e Ferreira Lima e, finalmente, Dr Borja Santos, que não foi reocupada.

 

No Vale do Luege e na estrada para Nova Caipemba, a cerca de 80 Km:

Quimbanze, de Romão & Garcia; João Alves; António Poço; Major Eurípedes e Boaventura Gonçalves; José Poço; Artur Cabral, anteriormente do Dr. Machado Faria; Madame Ruth, que antes foi do Arq. Batalha; Jaime e Glória Rei; Zalala, de Ricardo Gaspar e no “plateau” da serra do Pingano, a Belpingano que antes foi sucessivamente de Amadeu Brandão, Aires Rodrigues, Amadeu dos Santos e, finalmente de Rui Duarte Pombo.

 

No vale do Vamba e na sua margem direita, no caminho sem saída que parte da estrada Quitexe - Luanda, a cerca de 300 Km, passando pelos Dembos:

Alcides Morais que explorava a Minervina que era ou foi de Dionísio e talvez ão pertencesse ao Quitexe por ficar na margem esquerda do Vamba; uma pequena plantação de Josué da Costa Pacheco, que não foi reocupada e, a última desta linha, a Vamba de Fernando Santos Diniz.

 

Além destas havia várias pequenas fazendas, umas que não passaram de projectos e outras que foram abandonadas no princípio da guerra e não foram reocupadas por não terem viabilidade económica.

 

A quase totalidade da mão-de-obra utilizada nestas fazendas vinha do Sul e quase exclusivamente do distrito do Huambo.

A origem sócio-económica dos europeus que residiam nas fazendas sofreu uma sensível alteração com a eclosão da guerra, pois a maior parte dos proprietários abandonou-as como local de residência, sendo substituídos por gerentes, a maioria deles antigos capatazes que a guerra promoveu, o que, juntamente com as necessidades de defesa fez aumentar significativamente esta população durante os últimos 14 anos de domínio português.

É muito difícil fazer uma estimativa da produção europeia dos últimos anos da qual, aliás, nunca houve estatísticas fiáveis. Apesar disso pode adiantar-se um número que não estará desmesuradamente afastado da realidade: quinze mil toneladas/ano.

   

A população negra, originária da região e a residir em permanência na área não era numerosa, podendo atingir cerca de três mil pessoas. Vivia exclusivamente da agricultura de subsistência nos produtos alimentares, e do café que era transaccionado pelos comerciantes europeus da vila e que nos últimos anos, antes da guerra, terá atingido cerca de quinhentas toneladas/ano.

 Loja no Quitexe

Habitava senzalas relativamente pequenas, não atingindo, as maiores, mais do que quinhentos habitantes. O Estado só a partir do início da guerra se começou a preocupar com as estas povoações, levando a efeito a construção de algumas infra-estruturas no reduzido número agora existente, já que a população da maioria tinha fugido para o Congo ou vivia nas matas. De realçar, no entanto, que no aspecto médico-sanitário, tinha-se realizado uma obra de indiscutível valor, pois erradicou o maior flagelo que estava na origem de tão baixa densidade populacional, a doença do sono ( tripanosomíase).

publicado por Quimbanze às 08:32

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